Os 10 primeiros dias

Depressão Pós-Parto e Baby Blues

Durante toda gestação a mamãe é muito amada por toda a família e muito mimada e paparicada por todos. Desde a descoberta da gestação até o nascimento foram longos nove meses de adaptação à ideia da maternidade, a barriga crescendo aos poucos, dia após dia cuidando dos preparativos para a chegada do bebê, muitas idas e vindas aos médicos, e entre a expectativa com a chegada do bebê, muitas novidades e aprendizados até…

… até que essa mãe retorna do hospital para casa com seu bebezinho nos braços, cansada e com muitas tarefas a fazer, e de repente ela se vê angustiada, com vontade de chorar sem motivo e de sumir ao mesmo tempo, mas também com saudade da barriga. É um mix de ansiedade, irritação, tristeza, se sente deprimida e tem vontade de não levantar mais da cama e nem de tomar banho.

Neste momento é muito importante que o pai esteja atento para ajudar sua companheira porque essa mamãe pode estar sofrendo de um tipo de depressão pós-parto chamada baby blues. É considerada de grau leve e costuma aparecer na primeira semana após o parto e dura aproximadamente de 3 a 5 dias. De acordo com pesquisas, esse tipo de depressão é normal e atinge cerca de 50% das mulheres no pós-parto.

O apoio da família é bem-vindo. Os familiares podem ajudar a mãe fazendo comida, indo ao supermercado, à farmácia, ajudando nas tarefas domésticas para que ela possa descansar, levando e buscando do médico, evitando visitas neste momento, deixando ela falar sobre suas angústias e problemas e sempre apoiando com palavras positivas de que isso vai passar e que tudo irá melhorar.

Se não passar após a segunda semana, aí sim você poderá estar sofrendo de depressão pós-parto. É muito importante que a família esteja atenta, pois haverá necessidade de ajuda médica. A depressão pós-parto atinge cerca de 10% a 20% das mulheres no pós-parto muito em função das alterações hormonais durante a gravidez e pós-parto. Alguns fatores também auxiliam no tratamento da depressão como terapias, alimentação adequada rica em sais minerais, exercícios físicos e o acolhimento da família. Este tipo de depressão se atendido a tempo tem cura.

Os pais também sofrem de depressão pós-parto. Um em cada cinco homens sofrem da D.P.P (depressão pós-parto). Costuma aparecer no final da gestação e vai até o primeiro ano de vida do bebê. O agravamento se dá entre o terceiro e o sexto mês de vida do bebê. A maioria dos casos ocorre em pais jovens entre 15 e 24 anos. As causas mais comuns são:

– Ansiedade em prover a criança de tudo o que ela necessita,
– Aumento da responsabilidade,
– Suporte para a esposa, e
– Despertar noturno para cuidar do filho.

Os primeiros cuidados com o bebê

O ideal é que a mãe se afaste do trabalho ou de suas atividades pelo menos uns dez dias antes do parto para que ela possa se acalmar, se concentrar no parto, se conectar com o bebê e conversar com ele sobre o momento mais esperado que é o parto. Descansar é fundamental.

O ambiente para a chegada do bebê deve ser o mais natural possível para que o bebê não sinta mais ainda os impactos do mundo externo que para ele é extremamente agressivo. A luz deve ser suave, a temperatura ambiente, o toque com muito amor e cuidado e envolvido nesta paz e nesta harmonia os pais devem dar as boas-vindas a esse filho e dizer a ele o quanto ele foi desejado e o quanto é amado. Após o nascimento, deve ser aconchegado e acolhido próximo ao seio da mãe.

Em harmonia e tranquilidade aos poucos irá através do cheiro encontrar o seio da mamãe para mamar. É importante deixar que o bebê descubra o seio, não se deve colocar o bebê nos seios. Todos os movimentos precisam ser suaves, ele acabou de chegar neste mundo. Todas as passagens precisam ser feitas calmamente. Só o esforço do nascimento e a mudança no movimento da respiração que agora é aérea já causou muito esforço e dor para esse bebê.

É muito importante evitar visitas nos primeiros dias. É muito dolorido para o corpo do bebê ficar passando de mão em mão e ficar sendo tocado. Até então ele vivia num mundo aquático, não havia impactos. O toque é desconfortável para o bebê. Além disso, o bebê não foi vacinado, deve-se evitar o contato através de beijos, abraços, etc, e muito menos ir a shoppings, restaurantes e lugares públicos.

Durante os próximos dez dias o bebê deverá ficar no aconchego do colinho da mamãe, em casa, recebendo carinho e amor, até que possa entender que nasceu e que está aqui fora. Você sabia que um bebê recém-nascido leva aproximadamente 10 dias para se adaptar ao mundo aéreo e entender que não está mais na barriga da mamãe? Então, é importante dar este tempo ao bebê.

Ao amamentar a mamãe deverá olhar nos olhos do bebê, ele precisa do olhar da mãe para se reconhecer através deste olhar. É muito importante o pai participar de todos esses momentos. Sempre que possível dizendo ao seu filho o quanto o ama e o quanto foi desejado, que é bem-vindo na família.

É recomendável que a casa esteja limpa, organizada, bem ventilada, com o som e a iluminação natural do ambiente, livre de cheiros e odores para que o bebê se sinta bem e seguro. É importante os pais apresentarem o quarto que foi preparado para ele. Aos poucos ele irá se harmonizar neste novo lar que os acolheu.

É importante o pai ajudar a mamãe e participar destes primeiros momentos em família, como por exemplo, o primeiro banho do filho e as trocas de fraldas.

O papel do Pai e da Família

A rotina com um bebê recém-nascido não é fácil. Então, é imprescindível que o pai se envolva nas atividades diárias e que ajude sua companheira. Caso ela se sinta sozinha, ela poderá inclusive entrar em depressão em função da sobrecarga de atividades. Se for possível, o ideal é que o pai tire umas férias ou uns dias para ficar em casa. No dia-a-dia existem várias formas de colaborar, não necessariamente trocando as fraldas se você não leva muito jeito para isso. Você poderá ajudar poupando sua esposa de esforços, como por exemplo, ajudando na limpeza e arrumação da casa, fazendo comida ou comprando alimentos prontos, indo ao supermercado, farmácia, padaria, cuidando do bebê para que sua esposa possa descansar, cuidando dos animais de estimação caso vocês tenham algum e etc.. Não deixe tudo nas costas da sua esposa, pois isso poderá sobrecarregá-la ainda mais e irritá-la. Ela acabou de passar por um parto, está cansada, sem dormir e precisando muito da sua colaboração.

Peça e aceite a ajuda da família. As avós do bebê têm experiência e prática com bebês e elas além de colaborar ainda irão adorar prestar este serviço à sua esposa. Além disso, poderão ajudar também dando suporte com as questões do lar. Aceite ajuda se por ventura elas trouxerem comida ou se oferecerem algum apoio nesta fase inicial. O carinho e apoio da família é muito bom. Tios e tias também adoram ajudar os sobrinhos e apoiar a mamãe com palavras de acolhimento e incentivo.

É muito importante a mulher sentir a presença e participação do pai. As atitudes de um pai transmitem segurança, protegem e confortam a família. Filho que cresce com um pai dedicado e participativo, desenvolve estrutura forte capaz de suportar os impactos da vida com mais naturalidade. O pai e a mãe podem influenciar negativamente ou positivamente a vida do seu filho, e isso vai depender do quanto estão dispostos a assumir o seu papel com responsabilidade. Um bom ambiente familiar estrutura, dá base para um filho. É como se fosse um alicerce e modelo a ser seguido que provavelmente os filhos repetirão quando se tornarem adultos, assim como também tendem a repetir os modelos fracassados. O que vocês desejam para os seus filhos? Se vocês responderam que desejam o melhor, então é muito importante que vocês, pais, assumam desde já a responsabilidade que assumiram e sigam as orientações deste manual. Vocês estão dispostos a fazer isso?

Agende um horário para obter maiores esclarecimentos sobre a terapia individual para bebês!

Cristina De Santis
Psicanalista e Psicoembrióloga
Celular: 11 94114-0101