Chupeta e fralda

O mal da chupeta

Quando um bebê chupa chupeta ele desprende uma energia nesta atividade. Energia essa que este bebê poderia usar em benefício próprio, para o seu desenvolvimento. Um bebê até os seus 2 anos de idade é como uma esponja, ele absorve muitas coisas de forma muito rápida. Os pais devem ficar atentos a isso e facilitar este processo que é natural do ser humano ao invés de bloqueá-lo.

Por conveniência e comodidade dos pais, a chupeta é oferecida ao bebê quando ele chora ou reclama para que os pais não sejam incomodados, mas o que está por trás dessa atitude? O bebê não consegue falar para expressar seus sentimentos e incômodos, então a forma de se comunicar é chorando para chamar a atenção dos adultos. Neste momento, o ideal seria se dirigir até este bebê para entender a queixa. Toda mãe que está em harmonia sabe exatamente o que cada som do seu bebê quer dizer. Ao invés de parar e atender o bebê conversando e permitindo que ele se expresse e diga o que está acontecendo da maneira dele, muitas vezes os pais oferecem a chupeta para que o bebê se cale.

Muitos nem percebem o que estão fazendo porque esse gesto passou a ser normal nas famílias. Como a rotina nas casas é intensa e não há tempo para todas as atividades diárias que as famílias se propõe a fazer, elas acabam recorrendo “às muletas” do mundo moderno. Porém, esquecem de avaliar os prós e contras das facilidades do mundo moderno. A chupeta vicia. Todas as vezes que o bebê tenta se expressar alguém dá uma chupeta para ele e ele se cala. De repente, esse bebê para de se expressar e ele mesmo já pede a chupeta e coloca na boca e fica quieto num canto para agradar aos pais. E assim o ciclo se repete e se repete na vida com tudo e esse silêncio um dia poderá virar uma doença porque toda essa energia que o bebê tem está represada. A energia não está fluindo como deveria. No futuro, ao tornar-se adulto, poderá substituir essa chupeta pelo cigarro, pelo álcool, pelas drogas, etc. Os problemas da zona oral são os mais ligados à depressão, à melancolia, à anorexia e à bulimia.

Por que silenciar um filho que está pronto para se desenvolver e descobrir o mundo? Faz parte da vida desmamar para liberar a boca para a fala, aprender a falar para se comunicar com o mundo, engatinhar, andar, brincar, crescer e fazer amigos. Um dia todos nós fomos crianças e não tinha coisa melhor do que ser criança. Uma criança saudável fala, grita, pula, brinca e faz bagunça. O papel dos pais nesta jornada é o de educar e funcionar como facilitadores deste processo de aprendizagem e jamais oferecendo chupeta (o cala boca da criança), aparelhos eletrônicos que fazem a criança ficar quieta e ficar horas a fio mudas na frente desses recursos, entre outros brinquedos que a criança não precisa pensar e se relacionar com outros indivíduos. A criança fica fechada no seu mundo e isso é muito perigoso e prejudicial à sua saúde física e mental.

A chupeta e o afeto

Quando uma criança chora ela está se comunicando, ela está querendo dizer alguma coisa. Os pais ao darem voz à ela estão dando afeto, amor. Estão permitindo que ela se expresse, que ela dê vazão aos seus sentimentos e emoções, e, desta forma, esta criança está evoluindo a cada dia, está se desenvolvendo sadiamente, se sentindo amada e respeitada. Ao colocar a chupeta na boca da criança os pais estão silenciando sua forma de expressão, estão calando sua boca e essa atitude, mesmo sem perceber, é muito agressiva para os bebês. Ao chorar esse bebê está pedindo atenção, colo, um bico do seio quentinho e acolhedor, está pedindo o olhar da mãe, palavras de carinho, o que uma chupeta não oferece, pois ela é apenas um pedaço de borracha frio, seco, sem vida e que não dá leite.

Desfralde: Qual é a melhor hora de iniciá-lo?

Por volta dos dois anos – dois anos e meio quando a criança naturalmente começa a ter o controle esfincteriano, ou seja, quando ela consegue controlar o reter e soltar a urina e as fezes, é que ela está pronta para iniciar o desfralde. Isso acontece quando a criança está com o seu sistema nervoso central concluído. Sendo assim, não é recomendável apressar as coisas, muito menos fazer o desfralde coletivo na escola porque ao invés de ajudar você estará prejudicando o seu filho.

Você pode começar observando os horários que o seu filho faz as suas necessidades, e um pouco antes oferecer o penico, que deve estar sempre no banheiro (nunca na sala ou no quarto). Quando uma criança quer imitar um adulto, ela sabe bem o que deve fazer. Portanto, podemos ajudá-la mostrando onde um adulto faz as necessidades, e aguardar. Quando ela estiver pronta, ela irá pedir a sua ajuda. Existem livros de desfralde para crianças pequenas ensinando-as por imagens a usar o peniquinho.

Não se deve dar bronca quando a criança faz as necessidades no lugar errado. Diga para ela: “Eu sei que você estava tentando chegar ao banheiro, mas não deu tempo. Da próxima vez chegue um pouco antes”! Também não se deve ridicularizar a criança na frente de outras pessoas, pois ela irá se sentir humilhada e constrangida e isso não é legal.

Geralmente o desfralde do dia ocorre primeiro que o desfralde da noite. Observe como ela se comporta de dia, e quando tiver total controle durante o dia, tire a fralda da noite também. O ideal é fazer este processo nas estações mais quentes para que a criança não fique com frio e molhada à noite por muito tempo em função dos escapes.

Nunca compare os seus filhos com outras crianças, isso não faz sentido. Cada criança tem o seu processo de desenvolvimento e amadurecimento e como já foi dito anteriormente, todas as passagens na vida dos seus filhos devem ser suaves, sem traumas e de forma natural. Dê tempo ao tempo que tudo irá acontecer na hora certa que deveria acontecer. Não se preocupe.

Agende um horário para obter maiores esclarecimentos sobre a terapia individual para bebês!

Cristina De Santis
Psicanalista e Psicoembrióloga
Celular: 11 94114-0101